O Colégio Júlio de Castilhos, surgiu como curso preparatório à escola
de engenharia. A criação do curso foi coordenada pelos professores
engenheiros João José Pereira Parobé e Cherubim Costa com a finalidade
de preparar os alunos para ingressarem no curso superior.
Em 23 de março de 1900 O curso torna-se uma secção da escola de
engenharia com o nome de GYMNÁSIO DO RIO GRANDE DO SUL. Foi reconhecido
pelo governo federal em 23 de junho de 1900.
Em 1905 é instalado no Ginásio, o curso de Educação Física e o
Serviço de Instrução Militar. Neste ano o Ginásio passa a chamar-se
INSTITUO GINASIAL DO RIO GRANDE DO SUL.
Em 1906 foi inaugurado o primeiro prédio próprio, na Av. João Pessoa
(local da atual faculdade de Economia da UFRGS) O Prédio tinha estilo
eclético com tendência "art noveau". Grande parte do material era
importado e o saguão era guarnecido por dois grifos-leões.
Em 1908 a Escola de Engenharia presta homenagem a Júlio de Castilhos
falecido em 1903 e o Ginásio passa a chamar-se "INSTITUTO GINASIAL JÚLIO
DE CASTILHOS". Júlio de Castilhos passa a ser o patrono da escola e seu
busto é colocado no alto da escadaria do saguão.
Em 1930 desliga-se da Engenharia e passa para a Universidade Técnica
do Rio Grande do Sul. Com a política de privatização da educação, em
1936 o ginásio começou a ser extinto de forma gradativa. Mas é reaberto
em 1939, com algumas modificações e receberá o título de "Colégio Padrão
do Estado" coordenando os colégios Anchieta, Rosário, Bom Conselho e
Sévigné.
Na madrugada de 16 de novembro de 1951 , num incêndio criminoso,
nunca esclarecido o prédio do ginásio foi totalmente destruído, restando
apenas os grifos-leões e o busto de Júlio da Castilhos, que hoje se
encontram no saguão do prédio atual. Após o incêndio o Ginásio passou a
funcionar provisoriamente por 6 anos no prédio do Arquivo Público do
Estado, na rua Riachuelo.
Em 29 de junho de 1958 é inaugurada a primeira parte do atual prédio,
com arquitetura moderna e amplos espaços. O Grêmio Estudantil (GEJC)
surgiu em 1943, um dos mais combativos do estado e publica até hoje o
jornal "JULINHO". O Colégio Júlio de Castilhos caracterizou-se por ser
um centro gerador de cultura e formador de consciência.
Em 1947 surgem o Centro de Professores e o DTG O Grupo Ecológico
Kaa-Eté (Floresta Virgem) surge em 1979. As reações coletivas diante dos
fatos políticos, econômicos e sociais, sempre com uma postura de não
submissão a ideologias, autoridades e normas que atentassem contra os
direitos humanos e o processo democrático, caracterizaram o Colégio
Júlio de Castilhos no decorrer de sua história.
Texto Professora Ana Julieta
O Prédio Atual
Os arquitetos Demétrio e Enilda Ribeiro venceram o concurso em 1953.
O projeto fugia dos padrões escolares da época. A arquitetura modernista
se caracteriza por ser sustentada por pilares e não pelas paredes, que
podem ser substituídas por vidros. O Saguão envidraçado tem o objetivo
de manter o usuário do prédio em constante contato com o mundo lá fora.
O mundo interage com a escola e a escola com a realidade lá fora.
A escola não podia ser vista como algo isolado do exterior. Os
espaços podem contribuir e no caso de uma escola as vivências dos
usuários do prédio devem ser evocadas e não isoladas, proporcionando
visões conhecidas que interagem. Pátio interno ligando os blocos A e B
para convívio e trocas. O objetivo não era construir uma obra estranha,
mas que atendesse as necessidades de mudança social.
(Resumo da Palestra sobre a arquitetura do prédio do dia 23.04.2000
por Nara Helena Naumann Machado e Dóris Maria Machado Bitencourt)
(...)"as pessoas são profundamente influenciadas pela arquitetura à sua
volta, seja a do lar, a do ambiente de trabalho ou mesmo a das ruas. O
estilo e a aparência de cada construção afeta, de alguma maneira, o
humor, a sensibilidade e até a personalidade dos seres humanos"(...)
Alain de Botton (Arquitetura da felicidade)